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Raízes que Comunicam - Arte Capilar Negra

Culturas Populares e Identitárias Salvador, BA Professor Tutor: Larissa Novais 30 SET 2026 — 15 OUT 2026

Daniel D S Silva

UNEB - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

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Apresentação

O projeto aborda a arte capilar negra em Salvador a partir de suas dimensões cultural, identitária, econômica e comunicacional.

O projeto “Raízes que comunicam” tem como proposta abordar a arte capilar negra em Salvador a partir de suas dimensões cultural, identitária, econômica e comunicacional. O projeto parte da compreensão de que o cabelo crespo, para além de uma característica individual, possui significados construídos socialmente e está relacionado a processos de identidade, ancestralidade e resistência. Nesse sentido, as trancistas e artistas capilares são compreendidas como agentes de uma cadeia produtiva criativa que envolve diferentes práticas e formas de produção cultural.

A escolha da arte capilar negra como objeto do projeto está relacionada à sua presença significativa no cotidiano de Salvador e, ao mesmo tempo, à sua pouca inserção nos espaços culturais institucionalizados. Embora a prática esteja presente na cidade e faça parte das experiências culturais da população negra, ela ainda é frequentemente compreendida apenas como um serviço relacionado à beleza. Essa perspectiva reduz a complexidade de uma atividade que envolve conhecimentos técnicos, processos criativos, transmissão de saberes, produção de imagens e construção de narrativas sobre identidade e pertencimento.

Nesse contexto, a arte capilar negra pode ser compreendida como uma prática de economia criativa, pois articula criação artística, prestação de serviço especializado, produção de conteúdo digital e mercado de produtos voltados para cabelos crespos e cacheados. A criação de tranças, penteados e adornos envolve conhecimento técnico e escolhas estéticas, enquanto as redes sociais ampliam a circulação dessas produções por meio de fotografias, vídeos, legendas e outros conteúdos. Dessa forma, diferentes dimensões culturais e econômicas se encontram em uma mesma prática.

2 O PROJETO “RAÍZES QUE COMUNICAM”

2.1 Contexto e relevância

A relevância do projeto também está relacionada ao processo recente de reconhecimento profissional das trancistas. Em 2025, a profissão passou a integrar a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego. Esse reconhecimento representa um avanço no processo de formalização da atividade e amplia possibilidades relacionadas ao acesso a direitos, editais e políticas públicas. No entanto, o reconhecimento formal da profissão não significa que os problemas de invisibilidade cultural e institucional tenham sido solucionados. A transformação desse reconhecimento em maior visibilidade, valorização econômica e inserção nas políticas culturais ainda constitui um desafio.

2.2 Proposta do projeto

É nesse cenário que se insere o “Raízes que comunicam”. O projeto propõe um evento documental sobre a arte capilar negra em Salvador, utilizando diferentes linguagens para registrar, apresentar e valorizar essas práticas. A proposta reúne documentário, mostra fotográfica, rodas de conversa e desfile conceitual, criando um espaço de circulação das experiências e narrativas produzidas pelas artistas capilares.

A escolha dessas linguagens também está relacionada à dimensão comunicacional da arte capilar negra. A pesquisa de Silva e Freitas (2026), utilizada como uma das bases do diagnóstico, demonstra que artistas capilares já utilizam as redes sociais digitais para compartilhar conhecimentos técnicos, discutir identidade, ancestralidade e visibilidade e construir narrativas sobre suas próprias práticas. Essas ações podem ser compreendidas a partir do conceito de midiartivismo, que articula arte, ativismo e mídia.

O projeto, portanto, não pretende criar uma narrativa sobre a arte capilar negra a partir de uma perspectiva externa, mas ampliar e potencializar uma comunicação que já existe. As redes sociais demonstram que essas artistas produzem conhecimento e constroem formas próprias de representação. O documentário, a mostra fotográfica e as demais ações propostas pelo projeto permitem ampliar essa circulação para outros espaços e públicos, contribuindo para o reconhecimento da arte capilar como uma produção cultural.

2.3 Mapeamento e visibilidade das profissionais

Outro aspecto importante é a necessidade de ampliar o mapeamento das profissionais envolvidas. O diagnóstico identifica que parte da visibilidade atual está concentrada em artistas que já possuem presença consolidada nas redes sociais. Por isso, o projeto deve buscar também a participação de trancistas de bairros e profissionais que estejam fora desse circuito, permitindo uma representação mais ampla da cadeia produtiva e evitando que a concentração de visibilidade seja reproduzida.

Dessa maneira, o “Raízes que comunicam” se estrutura a partir de uma questão central: como uma prática cultural tão presente e significativa em Salvador pode permanecer pouco reconhecida institucionalmente? A partir dessa questão, o projeto busca utilizar a comunicação e as linguagens artísticas como instrumentos de documentação, valorização e visibilidade.

Mais do que apresentar tranças e penteados, a proposta busca evidenciar os conhecimentos, histórias, identidades e relações econômicas que existem por trás da arte capilar negra. O cabelo aparece, assim, como suporte artístico, elemento de identidade e forma de comunicação, enquanto as trancistas e artistas capilares são reconhecidas como produtoras de cultura e participantes de uma cadeia da economia criativa.

O “Raízes que comunicam”, portanto, está situado na relação entre cultura, comunicação e economia criativa. Sua importância está justamente em contribuir para que uma prática que já possui presença social e econômica seja também reconhecida como produção cultural e artística. Ao criar espaços de documentação, diálogo e circulação, o projeto busca aproximar a arte capilar negra dos espaços de reconhecimento cultural e fortalecer a visibilidade de profissionais que historicamente estiveram à margem desses espaços.

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Este projeto foi elaborado no Curso de Formação em Economia Criativa e Gestão de Projetos Culturais da Rede Logos. Ele tem caráter exclusivamente simulado e não será executado pelos alunos.