Raízes que Comunicam - Arte Capilar Negra
Apoie até 15/10/2026.
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Apresentação
O projeto aborda a arte capilar negra em Salvador a partir de suas dimensões cultural, identitária, econômica e comunicacional.
O projeto “Raízes que comunicam” tem como proposta abordar a arte capilar negra em Salvador a partir de suas dimensões cultural, identitária, econômica e comunicacional. O projeto parte da compreensão de que o cabelo crespo, para além de uma característica individual, possui significados construídos socialmente e está relacionado a processos de identidade, ancestralidade e resistência. Nesse sentido, as trancistas e artistas capilares são compreendidas como agentes de uma cadeia produtiva criativa que envolve diferentes práticas e formas de produção cultural.
A escolha da arte capilar negra como objeto do projeto está relacionada à sua presença significativa no cotidiano de Salvador e, ao mesmo tempo, à sua pouca inserção nos espaços culturais institucionalizados. Embora a prática esteja presente na cidade e faça parte das experiências culturais da população negra, ela ainda é frequentemente compreendida apenas como um serviço relacionado à beleza. Essa perspectiva reduz a complexidade de uma atividade que envolve conhecimentos técnicos, processos criativos, transmissão de saberes, produção de imagens e construção de narrativas sobre identidade e pertencimento.
Nesse contexto, a arte capilar negra pode ser compreendida como uma prática de economia criativa, pois articula criação artística, prestação de serviço especializado, produção de conteúdo digital e mercado de produtos voltados para cabelos crespos e cacheados. A criação de tranças, penteados e adornos envolve conhecimento técnico e escolhas estéticas, enquanto as redes sociais ampliam a circulação dessas produções por meio de fotografias, vídeos, legendas e outros conteúdos. Dessa forma, diferentes dimensões culturais e econômicas se encontram em uma mesma prática.
2 O PROJETO “RAÍZES QUE COMUNICAM”
2.1 Contexto e relevância
A relevância do projeto também está relacionada ao processo recente de reconhecimento profissional das trancistas. Em 2025, a profissão passou a integrar a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego. Esse reconhecimento representa um avanço no processo de formalização da atividade e amplia possibilidades relacionadas ao acesso a direitos, editais e políticas públicas. No entanto, o reconhecimento formal da profissão não significa que os problemas de invisibilidade cultural e institucional tenham sido solucionados. A transformação desse reconhecimento em maior visibilidade, valorização econômica e inserção nas políticas culturais ainda constitui um desafio.
2.2 Proposta do projeto
É nesse cenário que se insere o “Raízes que comunicam”. O projeto propõe um evento documental sobre a arte capilar negra em Salvador, utilizando diferentes linguagens para registrar, apresentar e valorizar essas práticas. A proposta reúne documentário, mostra fotográfica, rodas de conversa e desfile conceitual, criando um espaço de circulação das experiências e narrativas produzidas pelas artistas capilares.
A escolha dessas linguagens também está relacionada à dimensão comunicacional da arte capilar negra. A pesquisa de Silva e Freitas (2026), utilizada como uma das bases do diagnóstico, demonstra que artistas capilares já utilizam as redes sociais digitais para compartilhar conhecimentos técnicos, discutir identidade, ancestralidade e visibilidade e construir narrativas sobre suas próprias práticas. Essas ações podem ser compreendidas a partir do conceito de midiartivismo, que articula arte, ativismo e mídia.
O projeto, portanto, não pretende criar uma narrativa sobre a arte capilar negra a partir de uma perspectiva externa, mas ampliar e potencializar uma comunicação que já existe. As redes sociais demonstram que essas artistas produzem conhecimento e constroem formas próprias de representação. O documentário, a mostra fotográfica e as demais ações propostas pelo projeto permitem ampliar essa circulação para outros espaços e públicos, contribuindo para o reconhecimento da arte capilar como uma produção cultural.
2.3 Mapeamento e visibilidade das profissionais
Outro aspecto importante é a necessidade de ampliar o mapeamento das profissionais envolvidas. O diagnóstico identifica que parte da visibilidade atual está concentrada em artistas que já possuem presença consolidada nas redes sociais. Por isso, o projeto deve buscar também a participação de trancistas de bairros e profissionais que estejam fora desse circuito, permitindo uma representação mais ampla da cadeia produtiva e evitando que a concentração de visibilidade seja reproduzida.
Dessa maneira, o “Raízes que comunicam” se estrutura a partir de uma questão central: como uma prática cultural tão presente e significativa em Salvador pode permanecer pouco reconhecida institucionalmente? A partir dessa questão, o projeto busca utilizar a comunicação e as linguagens artísticas como instrumentos de documentação, valorização e visibilidade.
Mais do que apresentar tranças e penteados, a proposta busca evidenciar os conhecimentos, histórias, identidades e relações econômicas que existem por trás da arte capilar negra. O cabelo aparece, assim, como suporte artístico, elemento de identidade e forma de comunicação, enquanto as trancistas e artistas capilares são reconhecidas como produtoras de cultura e participantes de uma cadeia da economia criativa.
O “Raízes que comunicam”, portanto, está situado na relação entre cultura, comunicação e economia criativa. Sua importância está justamente em contribuir para que uma prática que já possui presença social e econômica seja também reconhecida como produção cultural e artística. Ao criar espaços de documentação, diálogo e circulação, o projeto busca aproximar a arte capilar negra dos espaços de reconhecimento cultural e fortalecer a visibilidade de profissionais que historicamente estiveram à margem desses espaços.
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Este projeto foi elaborado no Curso de Formação em Economia Criativa e Gestão de Projetos Culturais da Rede Logos. Ele tem caráter exclusivamente simulado e não será executado pelos alunos.
Como a Rede Logos funciona
A Rede Logos conecta pessoas, ideias e instituições para desenvolver projetos colaborativos na universidade. Ninguém recebe dinheiro. Todos somam horas, conhecimento e impacto.
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1
Produtor cria o projeto
Cadastra as atividades necessárias e estima as horas de cada uma.
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2
Colaboradores se conectam
Escolhem as atividades que têm a ver com suas habilidades e interesse.
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3
Trabalham juntos
Realizam as atividades combinadas e fazem o projeto acontecer.
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4
Ganham Logos
Ao concluir a atividade, o colaborador recebe Logos (horas).
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5
Horas que têm valor
Os logos equivalem a horas acadêmicas e de extensão.
1 Hora de atividade = 1 logos
Os logos representam horas de participação em projetos e podem ser usados para atividades acadêmicas e comprovação de extensão.
Este projeto ainda não cadastrou atividades para colaboração.
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